sábado, 1 de janeiro de 2011

Só amores têm depois


E depois? Pense... pense... pense...
mas não penso.
sem entregas
sem memórias
melhores mesmo são os não amores
eles vem, vão, vem e vão (sem dores)
mais ou menos aquela lembrança
talvez uma tarde de verão
aquela que apenas seus neurônios sentirão
e deixarão isentos os sorrisos idiotas, a sensação de leve ardência na pele e principalmente aquela raiva imensa que jura serem apenas aqueles tais hormônios, mas ninguém engana a si mesmo, essa tal de saudade é mesmo uma merda.

Pense... pense.... pense...
mas o que importa o depois?
penso... penso... penso...
Penso que durante é tão bom, real e infinito.
Mas o melhor é que não dure para sempre,
a monotonia não convence, é tão frustada e desinteressante.
Os finais mais trágicos e sinceros, são apenas esses que espero.
Quero apenas o pensar do depois, os durantes não me interessam, quero que esses sejam os mais impensáveis e irrevogáveis.
Os sentimentos devem ser sempre inexoráveis e no fim tem que ter porquê, nada deve ser longo demais que não possa ser explicado, lembrado e relembrado.
O porque deve ser o mais complicado, para que recaídas sejam descartadas
e apenas novos amores deixem novamente na pele aquela saudade irritada.

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