domingo, 16 de janeiro de 2011

Criatura noturna


Eu sou sensível a tudo que você não vê.
Ando na casa pela madrugada
e ouço tudo que você não ouve.
Jamais desço as escadarias,
não encontro ali poucos objetivos, mas uma maldita responsabilidade ou seria falta de coragem que não me deixa girar a chave.
A madrugada é minha. Só minha, e de mais ninguém.
Eu sou sensível a tudo que você não vê.
Nasce a manhã...
eu não vejo o que você vê.
Sou a sua treva,
mas para mim sempre há luz.
Sou o mais claro da sua escuridão e a hora mais escura do seu dia.
Eu sou tudo aquilo que você não vê.
Sou tudo que não quero mais dizer.
Eu sou a sua má fé na vida,
sou a ausência de esperança.
Para você sou como uma criança: teimosa, desorientada e negligente.
Eu faço tudo sem você querer.
O que mais me fascina é a falta de rotina.
Esperar a vontade, ou talvez a necessidade para ceder.
Me encantam os barulhos da madrugada: todos juntos, mas cada um.
São sempre audíveis, reconhecíveis numa noite calma.
Busco na noite o meu viver,
eu sou tudo o que não quer ver.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Só amores têm depois


E depois? Pense... pense... pense...
mas não penso.
sem entregas
sem memórias
melhores mesmo são os não amores
eles vem, vão, vem e vão (sem dores)
mais ou menos aquela lembrança
talvez uma tarde de verão
aquela que apenas seus neurônios sentirão
e deixarão isentos os sorrisos idiotas, a sensação de leve ardência na pele e principalmente aquela raiva imensa que jura serem apenas aqueles tais hormônios, mas ninguém engana a si mesmo, essa tal de saudade é mesmo uma merda.

Pense... pense.... pense...
mas o que importa o depois?
penso... penso... penso...
Penso que durante é tão bom, real e infinito.
Mas o melhor é que não dure para sempre,
a monotonia não convence, é tão frustada e desinteressante.
Os finais mais trágicos e sinceros, são apenas esses que espero.
Quero apenas o pensar do depois, os durantes não me interessam, quero que esses sejam os mais impensáveis e irrevogáveis.
Os sentimentos devem ser sempre inexoráveis e no fim tem que ter porquê, nada deve ser longo demais que não possa ser explicado, lembrado e relembrado.
O porque deve ser o mais complicado, para que recaídas sejam descartadas
e apenas novos amores deixem novamente na pele aquela saudade irritada.