
Eu sou sensível a tudo que você não vê.
Ando na casa pela madrugada
e ouço tudo que você não ouve.
Jamais desço as escadarias,
não encontro ali poucos objetivos, mas uma maldita responsabilidade ou seria falta de coragem que não me deixa girar a chave.
A madrugada é minha. Só minha, e de mais ninguém.
Eu sou sensível a tudo que você não vê.
Nasce a manhã...
eu não vejo o que você vê.
Sou a sua treva,
mas para mim sempre há luz.
Sou o mais claro da sua escuridão e a hora mais escura do seu dia.
Eu sou tudo aquilo que você não vê.
Sou tudo que não quero mais dizer.
Eu sou a sua má fé na vida,
sou a ausência de esperança.
Para você sou como uma criança: teimosa, desorientada e negligente.
Eu faço tudo sem você querer.
O que mais me fascina é a falta de rotina.
Esperar a vontade, ou talvez a necessidade para ceder.
Me encantam os barulhos da madrugada: todos juntos, mas cada um.
São sempre audíveis, reconhecíveis numa noite calma.
Busco na noite o meu viver,
eu sou tudo o que não quer ver.
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