
Chegamos então a tal conclusão: não vamos nos definir, dizer quem somos não nos interessa, já não sabemos e nem queremos saber. Conversaremos sobre assuntos polêmicos, discutiremos sobre filmes, discursaremos sobre livros, discordaremos sobre futebol. Quando cansarmos, não lutaremos contra. Não vale a pena esgotarmos assuntos que renderão muito mais amanhã. Dormiremos em camas de gatos e sonharemos como Dalí. É uma pena que nos falte talento, dedicação e persistência, para depois, como ele, representarmos artisticamente tudo de surreal que, durante a noite, passou em nossa mente. Mas não lamentaremos tal coisa, lamentar deixa tudo mais enjoado. Então apenas deixemos de lado que depois, mais tarde, os assuntos mais banais, ou até mesmo conversas críticas e filosóficas hão de nos tomar. E nossas conversas serão como Frida e Diego que com muito estardalhaço sempre voltam ao mesmo lugar. Bom, talvez até, elas acabem e o final pode ser trágico como Poe, louco como Almodóvar, engraçado como Depp ou poético como Vinícius.
Não buscamos uma vida linear, não gostamos de pensar que ela vai acabar. Desceremos no próximo ponto e duvidaremos de Fernando, veremos se vale a pena, pois não temos a alma pequena.